Investigações sobre o Fim do Mundo

Vislumbrar a distopia como um exercício de habitar épocas outras e examinar a imagem daquilo que o conflito do Antropoceno oferece como possíveis paisagens.

Estas premissas orientaram a realização deste ensaio experimental e ainda inconcluso.

A fricção existente no rompimento que o projeto de construção do urbano impôs em dimensões planetárias em diversos biomas e territórios de diversas espécies, atua como um movimento direcionado a uma ruptura. De alguma forma, a sobreposição de um pelo outro no pós-antropoceno ocorrerá como resultado desta guerra. O próprio planeta em suas diversas manifestações de seus diversos habitantes humanos e não humanos experimentam em suas vidas as consequências de um projeto mal calculado de habitar o mundo. O crescimento da incidência de enchentes, deslisamentos de terra, novas doenças e uma série de impulsos ferais trouxeram para “Investigações sobre o Fim do Mundo” elementos que constituíram esta tentativa de conjecturar fotografias de um mundo que vive o acontecimento das "invasões" em diversas escalas. 

As imagens produzidas em película, utilizam a técnica da sobreposição como um gesto de usar o acidente, a incerteza e a própria disputa entre paisagens reais como gerador de sujeitos ativos do resultado visual. Materializar uma imagem sobrepondo mundos que já existem numa relação quase matemática pra ver o que este corpo a corpo de territórios ofereceria como resultado de uma soma que não soma, mas subtrai o outro e o modifica com bem poucas concessões. Não está posta a co-habitação, mas a ruptura, pois nestas imagens, o mundo como o vivenciamos hoje, acabou, estas são imagens do futuro. 

FOTOGRAFIA ANALÓGICA 135mm e 120mm, 2013.