Escrita Espectral

Nos últimos anos documentei  investigações em sítios arqueológicos no Santuário de Megantoni, Perú. Zona de grande presença de antigas construções cobertas por séculos de selva crescendo, morrendo e se regenerando. Esse comportamento protagonizado por seres animais, vegetais e invisíveis compõe a teia de histórias destes territórios. Esta região bastante distantes de qualquer “centro urbano”, não possui luz elétrica ou mesmo qualquer sinal de telefonia. Neste contexto de “distancia tecnológica”, os equipamentos apresentavam forte e estranha instabilidade na sua capacidade de registrar imagens, provocado por grande intensidade de campo magnético na região. Esta "agência" invisível de alguma presença de campo de força específico daquele território provocou na câmera fotográfica a interferência nos cartões de memória, reordenando seus códigos binários, produzindo centenas de intervenções gráficas não repetidas nas quase 600 fotografias. As imagens foram capturadas em um vasto complexo arqueológico com diversas construções e possivelmente um grande observatório astronômico. Este ensaio busca especular a capacidade de agência de alguns seres e forças invisíveis específicos daquela região , em aparelhos tecnológicos, se apropriando de suas capacidades e trazendo algum tipo de linguagem, história ou quem sabe, alguma tentativa de diálogo. Discute também uma possibilidade de coautoria com este espectro invisível, que escreve em minhas fotografias alguma narrativa ainda não traduzida.